

CONTEXTO MACROECONÓMICO
Em 2024, a economia angolana cresceu 4,4%, tendo-se registado o maior nível de crescimento real do PIB desde 2015. A inflação foi de 27,5% e o câmbio USD/AOA depreciou 9,1% face a 2023.
ECONOMIA MUNDIAL
Em 2024, a economia global registou um crescimento robusto e estável, induzido por um contexto menos restritivo da política monetária nos EUA e na Europa, em linha com a desaceleração da inflação, expansão do comércio mundial e de uma política fiscal mais acomodatícia no Japão e no Reino Unido. A moderar as dinâmicas de crescimento estiveram os conflitos no Médio Oriente e no Leste da Europa, que condicionaram um maior investimento nos países destas regiões.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou um crescimento de 3,2% para o Produto Interno Bruto (PIB) real mundial em 2024, ligeiramente abaixo dos 3,3% registados em 2023, segundo a actualização do World Economic Outlook de Janeiro de 2025. Nas Economias Avançadas, o FMI previu um crescimento de 1,7%, com os EUA a liderarem com 2,8%, seguidos pelas Outras Economias Avançadas (2,0%), enquanto a Zona Euro poderá apresentar uma expansão moderada, de 0,8%. A mesma instituição previu um crescimento de 4,2% para as Economias Emergentes e em Desenvolvimento, lideradas pela Índia (6,5%) e pela China (4,8%).
O Banco Mundial estimou um crescimento de 2,7% para o comércio global, um avanço face aos 0,8% registados em 2023.
ECONOMIA DE ANGOLA
Em 2024, a economia angolana manteve a trajectória de crescimento verificada nos últimos dois anos, tendo registado o maior nível de crescimento real do PIB desde 2015. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o PIB cresceu 4,4% em termos homólogos, impulsionado, principalmente, pela Extracção de diamantes, minerais metálicos e de outros minerais não metálicos (+44,8%), pela Pesca (+12,2%), pelo Transporte e Armazenagem (+10,4%), pela Agro-pecuária e Silvicultura (+3,5%), e pelo sector petrolífero (+2,8%). O Banco Nacional de Angola (BNA) estimou um crescimento económico de 4,4% para 2024, impulsionado pelos sectores petrolífero (+3,6%) e não-petrolífero (+4,8%).
MERCADOS FINANCEIROS
A oferta monetária, medida pelo agregado monetário M2, fixou-se em 16 665,0 mil milhões de kwanzas, em 2024, um crescimento de 6,5% em termos homólogos. Em moeda nacional, o M2 aumentou 9,9%, ao fixar-se em 10 039,2 mil milhões de kwanzas, impulsionado pelo crescimento das Notas e Moedas em Poder do Público (3,0%), dos Depósitos à Ordem (8,9%) e dos Depósitos a Prazo (12,9%).
As taxas de juro de referência do BNA apresentaram uma tendência ascendente – com destaque para a Taxa BNA, que se fixou em 19,5%, um incremento anual de 1,5 p.p. – uma postura mais restritiva da política monetária, em conformidade com a manutenção da taxa de inflação em nível elevado. A seguir a mesma tendência, a Taxa da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez aumentou 2 p.p. para 20,5% e o Coeficiente de Reserva Obrigatória em moeda nacional subiu 3 p.p., para 21,0%. As taxas de juro no Mercado Monetário Interbancário aumentaram, em média, 11,3 p.p., com destaque para a Luibor Overnight que subiu 19 p.p., ao fechar o ano em 22,7%, o maior nível desde 2016.




